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A Ostra e a Pérola
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A Ostra e a Pérola

por Bruno Weyting Calabria - Psicoterapeuta CRT 44.720 - brunocalabria@hotmail.com

No mar do Japão, há muito tempo, havia uma ostra, que se tinha agarrado com unhas e dentes (figurativamente) a uma formação de coral e alí vivia. Muito ciosa de sua privacidade, só ocasionalmente entreabria sua grossa casca para se alimentar e não queria muita conversa com as outras ostras, suas vizinhas.
Um dia um pequeno grão de areia penetrou pela estreita fenda, e a ostra resolveu, como defesa, recobri-lo com o seu precioso nacar.
Com o passar de muitas marés foi se afeiçoando àquela tarefa, e enquanto ia engrossando cada vez mais sua casca ia também adicionando novas capas de madrepérola ao corpo estranho, que polia, limpava e lustrava incessantemente.
Assim foi se formando a pérola, cada vez maior, mais límpida, rosada e brilhante como seda. A ostra agora a considerava
obra sua e maior riqueza, e cada vez que admirava sua forma perfeita se parabenizava, dando-se palmadinhas nas costas (figurativamente) e congratulando-se com o resultado do seu esforço e de sua boa sorte.
Porém guardava-a ciosamente para si, fechando zangada a carapaça quando outra ostra ou algum peixinho curioso queria olhar para dentro. Em raros momentos se perguntava:


"...não seria melhor repartir com outros o prazer de olhar tanta beleza?"

Mas logo voltava ao irreprimível desejo de guardar a pérola só para si.
Numa tarde cinzenta o fundo do oceano estremeceu num terremoto. Uma onda gigantesca ergueu-se do mar e projetando-se velozmente arrancou a colonia de coral com a ostra e jogou-as no litoral de uma ilha distante.
Na manhã seguinte estava a ostra acordando estremunhada (ou ostramunhada?) sobre a areia branca e, ao abrir mais as suas valvas, aquecidas pelo Sol, sentiu-se inundada de luz como nunca havia sentido.
Olhou a areia, as palmeiras, o céu azul, e repentinamente sentiu que era mais que uma simples ostra. Era parte de tudo.
Pela praia veio correndo um menino moreno que estacou surpreso ao ver a ostra aberta com sua pérola. Tentou retirá-la e a ostra, transformada , soltou na mão do menino sua única riqueza, que tinha finalmente entendido, não lhe pertencia .
Logo depois a ostra, achando que já não precisava mais se defender de nada, abandonou sua casca, e na seguinte maré cheia voltou para o mar, nadando, muito mais leve, sem casca e sem pérola, ao sabor das correntes, onde estaria ainda, se não tivesse voluntariamente se desfeito no oceano, para dar a outras ostras material para fazer mais pérolas...


(de um poeta que deseja manter-se anônimo)





por Bruno Weyting Calabria - Psicoterapeuta CRT 44.720 - brunocalabria@hotmail.com   
"Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste." Sigmund Freud
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E-mail: brunocalabria@hotmail.com
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